O testemunho de Rita Salgado [2008]

A arquitectura paisagista era um curso novo para mim quando cheguei à UTAD em 98 e foi sempre uma alternativa encontrada à minha primeira escolha que era arquitectura. O que me fez mudar de ideias? Muitas coisas contribuíram para que a minha estadia se prolongasse, talvez o magnífico campus da UTAD, que é uma aula ao ar livre, um espaço em constante evolução e que serviu de envolvente ao desenvolvimento do curso. Os professores, que logo no 1º ano nos mostraram o que é a arquitectura paisagista e a paixão com que nos “apresentaram” a profissão. Os colegas e amigos que conheci e que marcaram um período muito importante da vida. Muitas foram as pessoas que me deram apoio, em especial aqueles que me ajudaram, partilharam experiências profissionais e nos ajudaram a preparar para a vida profissional, que agradeço e tento retribuir.

Depois de acabado o curso, surgiu outro período importante, pôr em prática tudo que aprendi da UTAD, ter que adaptar conceitos e posturas absorvidas pela aprendizagem durante o curso e aplicá-los nas diversas maneiras que a arquitectura paisagista nos oferece. O planeamento e ordenamento do território foi a área onde me sentia menos preparada quando acabei o curso e por isso procurei essa área de trabalho. Um desafio e talvez um risco, quando quase todos que comigo fizeram o curso optaram pela área de projectos e não de planeamento. A oportunidade de fazer parte de uma equipa onde a fusão de formações académicas é importante, e descobrir alguns aspectos comuns, mas também diversificados, que a nível profissional se podem complementar. Alguns dos trabalhos em que participo na área de planeamento e ordenamento estão inseridos na revisão do plano director municipal entre os quais a reserva ecológica e reserva agrícola nacional, a estrutura ecológica municipal e a área florestal, estudos como a revitalização e valorização de linhas de água e, a uma escala mais pequena, projectos de integração paisagística. A área de trabalho é muito abrangente passando de uma escala mais global, a nível concelhio mas também áreas de intervenção de uma dimensão mais pequena.

O processo de descoberta da arquitectura paisagista é constante, uma batalha diária intelectual para a melhoria da nossa postura e contributo como profissionais na sociedade.

Hoje, para mim, ir à UTAD, é respirar ar fresco, recarregar baterias e inspiração.

“Como se conseguiu construir este paraíso, este estrato arbóreo tão exuberante?” Ouvi por trás de mim e não resisti a responder quase instintivamente, “Com muito amor e carinho dado por aquele senhor ali á frente.”, estávamos na visita guiada pelo Prof Torres de Castro nas Comemorações dos 30 anos da APAP, em 2006.

Para os actuais e antigos alunos, professores e todos aqueles que contribuem para o curso de arquitectura paisagista da UTAD, espero que o vosso contributo pessoal seja marcante como foi para mim.

Prof. Torres de Castro

Prof. Torres de Castro

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