Metro do Porto – Uma oportunidade para a arborização na AMP, por Laura Roldão e Costa

Em Portugal, a implantação de infraestruturas ferroviárias enquanto sistema de transporte público tem provocado desde o séc. XIX transformações na paisagem pela forte influência que têm na expansão do espaço edificado e contribuição na construção de espaço público arborizado que se encontra geralmente associado às estações, quando se trata de comboios, e ao longo do corredor de circulação, sob a forma de jardins, praças, largos e alamedas, quando associado ao elétrico ou ao metro.

Figura 1

Linha de metro em Matosinhos. Relação da infraestrutura com jardim público

Hoje, e considerando que as infraestruturas ferroviárias são planeadas, projetadas e construídas em ambiente urbano/metropolitano constituem-se como oportunidades de requalificação do espaço urbano no sentido de serem capazes de promover a implantação de espaço público arborizado quer em quantidade quer em qualidade, sendo que a arborização que lhes está associada, pela sua expressão, linearidade e continuidade deverá constituir um elemento estratégico de conetividade e de multifuncionalidade espacial. Neste contexto entende-se que as infraestruturas ferroviárias devem ser encaradas como corredores verdes urbano/metropolitanos integrantes da estrutura ecológica tendo um papel significativo na articulação entre espaços urbanos e tipologias de espaços públicos. Sendo a estrutura ecológica um sistema da maior importância, quer sob o ponto de vista da função quer da estrutura, nomeadamente pelas múltiplas funções que desempenha assegurando a conservação dos recursos naturais e a definição da forma dos espaços e respetiva legibilidade, estes corredores verdes associados às infraestruturas ferroviárias constituem-se como elementos estruturantes da definição formal e funcional do espaço urbano e estrutura ecológica.

Linha de metro em Matosinhos. Relação da infraestrutura com Parque Urbano

Linha de metro em Matosinhos. Relação da infraestrutura com Parque Urbano

Sendo o metro do Porto uma infraestrutura ferroviária construída predominantemente em superfície foi o projeto entendido como uma oportunidade de requalificação dos espaços urbanos e de instalação de arborização intimamente relacionada com a infraestrutura e espaços públicos na Área Metropolitana do Porto (AMP). Tratando-se da inserção de uma infraestrutura linear de transporte sobre um território complexo como é o da AMP, os projetos de Inserção Urbana e de Integração Paisagística definiram várias tipologias de espaços urbanos arborizados – largos, praças, ruas, via do metro, rotundas e estacionamentos arborizadas, espaços verdes de enquadramento, jardins, e parques, que tendo diferentes objetivos, funções e dimensões definiram no seu conjunto arborização continua. Foi neste entendimento geral que os Projetos de Integração Paisagística do metro do Porto foram realizados entre 2001 e 2007 e que envolveram as linhas que atravessam os concelhos de Matosinhos, Maia e Gondomar, tendo-se definido espaços públicos arborizados em escalas diversas, encontrando-se por vezes com maior expressividade onde a relação entre o comprimento e a largura são mais próximas e noutras em situações em que a relação entre o comprimento e a largura apresentam valores muito destintos sendo muito estreitos, e em tipologias distintas podendo integrar elementos fundamentais da paisagem como linhas de água ou apenas assegurar continuidade encontrando-se em caldeiras ou pequenos canteiros, mas tendo-se sempre em consideração que a arborização do metro teria que garantir o estabelecimento de ligações com os espaços verdes envolventes, linhas de drenagem natural e espaços rurais e florestais nos concelhos em que passa. A arborização associada à infraestrutura ferroviária – metro foi entendida como um elemento estratégico de requalificação urbana, promoção e consolidação da estrutura ecológica e de melhoria do bem-estar das populações dado o elevado número de utentes que as utilizada diariamente nas suas deslocações. Ao apresentar grande proximidade com o edificado esta arborização permite um fácil acesso das populações aos elementos naturais funcionando como ligação entre o espaço urbano e a natureza.

Linha de metro na Maia. Arborização ao longo da rua e via do metro

Linha de metro na Maia. Arborização ao longo da rua e via do metro

Em síntese considera-se ser a arborização um elemento integrante da estrutura ecológica pelo que deve ser entendida como suporte imprescindível da sua constituição e deve cada vez mais ser interpretada e integrada em projetos e planos estruturais de escala metropolitana de modo a permitir a requalificação da paisagem, a definição de espaço público e a promoção de várias funções e, cada vez mais ser integrada com outros sistemas, também definidos em rede e usados diariamente pelas populações como é o caso da infraestrutura ferroviária – metro. A arborização em espaço urbano constitui-se como um elemento estratégico capaz de garantir conectividade/articulação, legibilidade e multifuncionalidade sendo um elemento estruturante da forma e função do espaço urbano.

Linha de metro em Gondomar. Arborização ao longo do rio Tinto

Linha de metro em Gondomar. Arborização ao longo do rio Tinto

Laura Roldão e Costa, 2015

Artigo originalmente publicado no nº1 da revista APart, editada pelo Núcleo de Arquitetura Paisagista da UTAD


Laura Roldão e Costa holds a PhD in Landscape Architecture, by the Faculty of Sciences of the University of Porto and was originally trained has a landscape architect by the Higher Institute of Agronomy. She teaches at UTAD in the field of landscape design since 2002. She owns a private office in Matosinhos, Laura Roldão e Costa Landscape Architecture Lda, where she develops her long term professional practice.

How to quote: Costa, L. (2015). “Metro do Porto -Uma oportunidade para a arborização na AMP”. UTAD-AP Online. Available at http://arquitecturapaisagista.utad.pt/paper002/


 

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